Você que começa a ler esta matéria poderá ter a ideia de que o Led Zeppelin é uma das bandas que formam meu Top Ten ou quem sabe Top Five de predileção. Não, absolutamente não é, e talvez é justamente por isso que falo deles nessas minhas primeiras aprendizagens de blogueiro. Pra mim ainda é muito complicado narrar minhas andanças com os vinis do Frank Zappa e do Jethro Tull - de qualquer forma, tenho intenção de citar um desses 2 nomes no final da postagem.
Esta matéria tem o subtítulo "parte 1", mas não fala do primeiro disco que adquiri do Led, e sim do Led Zeppelin I, e aproveito para substituir a fonte Arial por outra porque fico inseguro ao ler algarismos romanos não serifados.
Comecei comprando o Led IV na época de seu lançamento aqui no Brasil (1972), mas pouco tempo depois, quando decidi que o Led era uma banda colecionável, os 3 álbuns anteriores já estavam fora de catálogo - o que era até um alívio, pois aquelas edições da CBD Phonogram tinham umas capas fantasmagóricas, principalmente o segundo LP, cuja contracapa ostentava um horripilante texto do Nelson Motta.
Em comparação, a capa da primeira edição nacional do Led I era caprichadinha, mantendo inclusive o fundo cor-de-laranja na contracapa. Mas eu, na época, me recusaria a comprar aquela edição, que era tão pobre, mas tão pobre que... nem sequer era em stereo!
Bem, fosse stereo ou fosse mono, o fato é que aquela edição estava fora de catálogo.
Nossa oportunidade de montar a coleção do Led surgiu em 1974, quando o Led I foi relançado no Brasil. Falo "nossa oportunidade" porque, além de mim, muitos adolescentes da minha idade também compraram o disco (lembro até que comprei o meu numa loja da Avenida São João, por um preço um pouquinho mais baixo que o das lojas que eu frequentava mais: Brenno Rossi, Museu do Disco, Bruno Blois).
Tenho certeza que todos esses colegas adolescentes tiveram a mesma sensação que eu quando colocaram o disco pela primeira vez em suas vitrolinhas: o impacto causado pela primeira faixa, "Good Times Bad Times". Essa música nunca tocava no rádio, então tenho certeza que quase todos nós a conhecemos diretamente de nossos vinis. Não afirmo que tenha sido um impacto atordoante, estrondoso, como fora o caso com "Whole Lotta Love", "Immigrant Song"... a gente apenas pensava: "puxa, essa musiquinha até que é bem bacana..."
Mas havia um porém. Os discos do selo Atlantic tinham passado a ser lançados aqui no Brasil pela fábrica Continental, que rapidamente ganhou o apelido "Conxiiinental", tamanha era a quantidade de chiados que vinham embutidos em cada exemplar vinílico!
A cada disco que adquiríamos da Continental (e eram muitos os artistas: Rolling Stones, Yes, Emerson, Lake & Palmer, King Crimson, Neil Young) vinha aquela enxurrada de reclamações de nossa parte (nós, pobres consumidores). Só como exemplo, vamos destrinchar as deficiencias desse Led Zeppelin I:
1 - Ao contrário da edição anterior (com contracapa alaranjada), essa aqui vinha totalmente em branco e preto;
2 - Havia um erro de edição de som no lado um: no master original a faixa "You Shook Me" (um blues de autoria de Willie Dixon) tinha seu final emendado com o início da música seguinte, "Dazed and Confused". Aqui no Brasil foi criado o tradicional intervalo de 3 a 5 segundos (nunca ouvi na íntegra a edição da CBD Phonogram, mas sei por fonte segura que lá fora respeitada a concepção do master original). Pelo menos não repetiram o erro no lado dois, onde mantiveram corretamente a transição sem intervalo entre "I can't quit you baby" (do mesmo bluesman) e a faixa que encerra o disco, "How many more times".
Faço um salto agora para os anos 90, quando o CD virou coqueluche, diversos colecionadores se desfizeram de seus vinis, e o resultado é que, em poucos anos, sempre frequentando sebos, consegui que a quase totalidade dos meus LPs de fabricação nacional fosse substituída por seus originais importados, pagando preços muito baratos. Imaginem vocês meu alívio ao adquirir o Led Zeppelin I em sua prensagem norte-americana da Atlantic Records, com o característico selo vermelho e verde, e poder me livrar do meu "Conxinental", oferecendo-o a preço de banana num desses mesmos sebos. E o melhor de tudo era poder ouvir aquele som de um jeito bem pauleira! É verdade que estranhei um pouco a ausencia de agudos em "Good Times Bad Times", mas seria questão de eu me acostumar...
Pois bem, caro leitor... devo confessar que levei um par de anos pra me conscientizar da cagada que eu tinha cometido desfazendo-me do exemplar Continental, que já não chamo mais de Conxinental porque... sim, os chiados realmente existiam, mas junto com os chiados
havia um trabalho técnico de contraste entre graves e agudos que era muito melhor que aquela MERDA importada, com os agudos totalmente abafados! Provavelmente era uma reedição do final dos anos 70 ou início dos 80. Seria preciso caçar uma primeira ou segunda prensagem, o que para mim ainda era difícil distinguir na hora da compra, pois os discos da Atlantic americana, desde que existe o Led Zeppelin, sempre vêm com o mesmo selo vermelho e verde!
Mas eu, de certa forma, já sabia o caminho das pedras: já tivera a sorte de conseguir o Led Zeppelin III e o Led Zeppelin IV em suas edições inglesas.
Não é tão difícil achar um LP Atlantic britânico com o mesmo selo vermelho e verde dos Estados Unidos. A dica que dou agora ao leitor-colecionador é ir sempre atrás deste selo aqui embaixo:
Até o comecinho dos anos 70 (afirmo isso porque meu Led IV, de 1971, é com o selo acima), a Atlantic inglesa mantinha em seu selo as mesmas cores que a matriz americana tinha abandonado na metade dos anos 60. Para ser mais específico, essas cores acima caracterizavam as edições mono da Atlantic americana, ao passo que as edições stereo eram uma combinação de azul e verde, e outras duas combinações de cores eram usadas para o mono e para o stereo da subsidiária da Atlantic chamada Atco.
Dos discos da Atlantic inglesa com o selo acima, todos que conheço são stereo (os Led's citados e o In-a-gadda-da-vida do Iron Butterfly). Mas os dizeres mágicos estão na parte inferior desses selos.
Consegue visualizar a ilustração, caro leitor?
A Atlantic inglesa mandava prensar seus discos na Polydor! E as prensagens da Polydor inglesa dessa época (metade dos anos 60 até início dos 70) eram um arraso, conforme tive o prazer de conferir em LPs do Cream, de Jimi Hendrix e do Who (estes dois últimos através do selo Track).
Quando encontrei o Led I com o selo acima na feira de colecionadores que se realiza algumas vezes por ano na av. Paulista (assunto para futura matéria) percebi que minha busca tinha terminado. Abandonei a edição americana e recuperei para meus ouvidos a estridencia das audições dos anos 70 de "Good times bad times" e "Babe I'm gonna leave you".
Isso tudo na mesma época em que, depois que tive (e ainda tenho) tantos exemplares importados da magnífica antologia do Jethro Tull chamada Living In The Past, meu prazer auditivo só foi recuperado quando consegui de novo a primeira edição (segunda encadernação) dessa maravilha, igualzinha ao exemplar que eu comprara (e depois me desfizera) em 1973... Outro bom trabalho da Gravações Elétricas S.A./Discos Continental!!!


Muito interessante.
ResponderExcluirFicaria feliz em ler um post sobre o eco reverso de Jimmy Page... (sei que o blogueiro manja pacas disso).