sábado, 1 de fevereiro de 2014

Guitar Player


Eu não sabia se chamava este post de "Guitar Player" ou de "Guitar Hero". Acabei escolhendo a primeira opção por causa de uma revista estrangeira, da qual conheci muito poucos exemplares, mas que me impressionou bastante por sua seriedade.
A primeira revista "Guitar Player" que conheci trazia na capa o Frank Zappa. E o Zappa é um de meus Guitar Heroes, ao lado de Hendrix, Mike Bloomfield, Roy Buchanan e algumas fases do Clapton.
Alguns de vocês vão se espantar ao ver essa foto acima (tirada nos anos 60) ilustrando um post chamado "Guitar Player". De fato o rapazinho está tocando uma guitarra (é uma Gibson?), mas quem o reconheceu sabe que ele nunca foi um famoso guitarrista, e sim um famoso cantor (talvez mais famoso no Brasil que em seu país natal, os Estados Unidos).
Em 1990 assisti a vários shows importantes. Vi o primeiro show brasileiro do Bob Dylan (no Hollywood Rock); vi o Paul McCartney no Maracanã; vi o Eric Clapton na (hoje extinta) casa de shows Olympia, na rua Turiassu.
No início de dezembro daquele ano, uma amiga querida (querida até os dias de hoje) fez-me uma proposta que me pareceu meio brega: "Vamos assistir o Johnny Rivers no Olympia?"
Devo confessar que aceitei ir muito mais pela qualidade da companhia do que pela qualidade que eu esperava do show.
O início do show foi meio esquisito, pois o que vi foi um trio de guitarra-baixo-bateria, com muito mais ênfase no instrumental que nas partes cantadas. Para dizer a verdade, o que me surpreendeu um pouco foi o visual do Johnny Rivers, pois há mais de vinte anos eu via ele em fotos como a da capa de disco abaixo (um dos que mais gosto em sua obra gravada):
Slim Slo Slider
Desta vez, porém, em vez do visual hippie, ele estava com um cabelo bem curtinho, de terno, muito parecido com a foto que abre este post (que afirmei ser da década de 1960, mas não tenho tanta certeza assim).
E, mais que o visual, o que me surpreendeu foi o que me levou a responder assim, a cada um que me perguntou sobre o show nos dias seguintes: "Eu não sabia que ele é um tremendo d'um guitarrista!" (a palavra não foi exatamente esta que ressaltei em negrito)
E depois afirmei, sem nenhum medo de errar: "Ele solou tudo que o Clapton não solou em seu show no meio deste ano!"
De fato, o show do Clapton não fôra tudo o que eu esperava, e a comparação foi incentivada pelo fato de que eu assistira a ambos no mesmo auditório.
Outro fator que forçou a comparação é que, agora em dezembro, houve uma espécie de "jam" em que o Johnny Rivers tocou um longo trecho de "Hideaway", um standard dos blues que fez parte do repertório de Clapton quando este integrou a banda Bluesbreakers, do lendário John Mayall.
Para não dizer que o show foi maravilhoso, a segunda parte foi um pouco frustrante, quando o trio de guitarra, baixo e bateria foi aumentado por duas "peruas" cafoníssimas que entraram no palco para fazer os backing-vocals.
Agora vou comentar outro show do Johnny Rivers, mas antes devo dizer que esse show em dezembro de 1990 não encerrou minha "agenda" daquele ano. Num próximo "post" falarei de outra surpresa que me aguardava na semana seguinte, naquele mesmo Olympia...
Faço um salto para 1998, um domingo ensolarado no Parque do Ibirapuera, quando vi um "guitar player" completamente diferente daquele do Olympia, e é difícil dizer qual dos dois era melhor!
Desta vez o Johnny estava com uma cara um pouco mais parecida com a da foto acima, acrescida porém de uma barbicha. Mas a pose era essa aí: totalmente roqueira (e essa guitarra aí só pode ser uma Gibson!)
Era uma banda de cinco músicos, incluindo o cantor: tinha um tecladista, um baixista, um baterista e um guitarrista que fazia os solos. Mas durante o tempo todo o Johnny, além de cantar, não parou de tocar guitarra-base.
O momento "guitar hero" aconteceu num momento que eu chamaria de sincronicístico, porque aconteceram duas coisas, e eu não consigo me lembrar qual delas eu percebi primeiro. Portanto, vou enumerá-las, um e dois, não lembro a ordem, mas terminou com as duas coisas acontecendo ao mesmo tempo:
1 - um rapaz levantando sua namorada nos ombros, para que ela enxergasse melhor o palco, e essa moça usava uma camiseta com a estampa do Jimi Hendrix;
2 - Johnny Rivers, que até então só tocara músicas conhecidas de seu próprio repertório, nessa hora executou uma perfeita "cover" da canção "The Wind Cries Mary", do primeiro album de Jimi Hendrix, Are You Experienced (a edição norte-americana)!
(houve outra surpresa, outra música que não fazia parte do repertório gravado do Johnny: "The Letter").
Entre esses dois shows, passei a escutar seus discos com mais atenção, e foi só então que passei a reparar no dedilhado que existia em tantas músicas, que poderia muito bem ser de um músico acompanhante, mas percebi que havia um estilo comum, em vários albuns.
Agora, de memória, sem estar ouvindo seus discos, se eu tiver que aconselhar ao leitor uma canção que seja emblemática do "toque do guitar player Johnny Rivers", sugiro a canção "Look to Your Soul", do album Realization.
Realization
Ops! Após uma pausa (gap) de várias horas, estou finalizando esta matéria com o Realization girando no toca-discos, e percebo que a faixa que citei pode não ser o exemplo ideal, pois estou escutando "Look to Your Soul" e não estou conseguindo ouvir com nitidez as tais guitarras. Mas... juro que elas estão lá (enterradas na mixagem). O fato é que cada vez que mentalizo essa música eu me acompanho imaginariamente com essas guitarras, ignorando o resto do arranjo. Talvez este seja o truque para eu poder acrescentar no meu curriculum que... aprendi a tocar guitarra com o Johnny Rivers!!

4 comentários:

  1. Muito bom Finzi. Gostei do post e da sua dica. Só relembrando, eu estava com voce e o Lúcio Teixeira no tal show do Clapton no Olympia q vc não gostou muito e eu achei que ví Deus.
    abraço
    boy

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    1. Luiz Carlos, quem somos você e eu para sabermos sobre a identidade secreta de Deus? Quem sabe a resposta correta, nos dias atuais, é o Lucio Teixeira, você não acha? Um abraço e uma saudade.

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  2. Finzi, não sei se serei muito deselegante mas gostaria de publicar aqui um site/blog que fala um pouco mais sobre o Rivers já que você abriu o apetite de quem gosta de sua obra.
    Peço minhas escusas antecipadamente.
    http://blogrockkclub.blogspot.com.br/2013/11/viagem-ao-rock-johnny-rivers-completa.html
    abraço
    boy

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    1. Luiz Carlos, agradeço pelo link (que entre outras coisas me fez ficar sabendo da curiosa origem do sobrenome artístico RIVERS...)
      E aproveito pra fornecer outro link:
      http://www.johnnyrivers.com.br/
      É um site muito caprichado feito por um sujeito super boa praça. Sugiro começar a navegação na janela SOBRE MIM, pra conhecer um pouco do cara, que por modéstia não diz no site seu sobrenome porque... é RIVERS, resta saber se o rio que transbordou é o mesmo Mississipi ou o Tietê, mas a primeira hipótese é mais provável (rsrss). Outro abraço pr'ocê.

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