Ontem levei uma amiga para conversar, ouvir boa música e beber umas cervejas exóticas num bar bem no Centro da cidade de SP. As mesinhas ficavam num subsolo que felizmente estava bem climatizado, já que o calor nesses dias anda insuportável.
Mas o que mais me impressionou foi a qualidade da música de fundo. De umas caixas acústicas bastante bem colocadas, rolava uma seleção musical inacreditável. Vou listar aqui uma pequena amostra:
"I wish you would" com os Yardbirds;
"Situation Vacant" dos Kinks;
"She's a rainbow", que me fez virar um leitor atento de contracapas quando eu tinha 14 anos graças à presença do Nicky Hopkins;
"Green River", do Creedence, que conheci na trilha sonora da novela Beto Rockfeller;
"To Ramona", não na voz do seu compositor (Dylan) mas na linda versão dos Flying Burrito Brothers;
The Flying Burrito Brothers
3º album, inclui 'Ramona'
"Tangerine", para a qual o Renato Russo chamava a atenção de seus colegas de adolescencia, afirmando "essa música [do Led] é muito melhor que Stairway to Heaven!" (li isso numa biografia, e aviso que não sou fã da Legião Urbana, mas precisamos admitir que o Renato sabia várias coisas);
"Pleasant Valley Sunday"... incrível como este minor hit dos Monkees está sendo citado pela segunda vez (consecutivamente) aqui nos posts do PALIgAP!
"Wasn't born to follow", outra linda composição de Goffin & King que os Byrds tornaram ainda mais bela (está na trilha do Easy Rider);
"Wild Child", obscuro lado B dos Doors;
"Get it on (Bang a gong)" do T. Rex;
"I can't make up my mind"... quando tocou essa obscura canção dos Zombies, peguei no braço da minha amiga e disse: "Preste atenção nisso!! Quem será esse programador que foi adivinhar uma das minhas pérolas favoritas??"
E voltei a cutucar a moça quando começou a tocar outra dos Byrds, "It won't be wrong". Disse pra ela, "essa também é bárbara!"
Mas, quando tinha rolado mais ou menos meio minuto da música, senti uma decepção: o audio do bar, que até então eu estava achando ótimo, me pareceu uma porcaria!
Mas a culpa não era tanto assim do pessoal do bar. A explicação é que estavam tocando essa música em sua mixagem stereo. As caixas acústicas estavam bastante separadas, e para que ninguém diga que sou inimigo do stereo, a separação de canais criou uma ambientação muito boa para, exemplificando, "Tangerine", "Bang a gong", e ATÉ MESMO a outra música dos Byrds que foi tocada antes ("Wasn't born to follow").
Mas no caso de "It won't be wrong" e todo o album ao qual essa faixa pertence, o stereo é desastroso.
Isso me remete à época que adquiri o disco em questão, Turn Turn Turn.
Comprei-o num dos encontros (FEIRAS) de colecionadores que naqueles idos de 1987 eram feitos num galpão da rua Matias Aires. O disco pertencia a um colecionador argentino (de quem viria a comprar outros discos, quando ele se tornou proprietário de uma loja).
Fiquei
receoso em adquirir o disco, pois sua superfície apresentava vários
arranhões, e havia um agravante: o disco não era estereofônico.
Mas o preço era convidativo, e o dono do disco, falando com seu carregado
sotaque portenho, garantiu que os riscos eram superficiais e o disco
tocava direitinho. Fiz portanto a compra.
Quando
cheguei em casa e pus o disco para tocar, foi uma felicidade imensa,
pois a prensagem era tão boa, e o som tão alto e nítido, que os
eventuais chiados ou estalidos se tornavam imperceptíveis!
Hoje, infelizmente não tenho mais o hábito de registrar a data em que adquiro cada disco de minha coleção. Mas na época eu anotava tudo minuciosamente, então posso dizer que 19 de julho de 1987 significou (já que o disco se chama Turn Turn Turn) um turning point em minha maneira de se prestar atenção ao som de um disco. Como diz uma outra amiga (também apreciadora de cervejas exóticas, de preferencia acompanhadas de azeitonas), talvez comecei a aprender um pouco as diferenças entre escutar e ouvir...
Claro que não percebi nada disso (sobre essa data divisora de águas) na ocasião. Escrevo isso hoje fazendo um retrospecto. Mas com certeza, logo depois daquela data, rapidamente passei a perceber que, muitíssimas vezes, uma edição mono dá de dez a zero em seu equivalente stereo.
Turn! Turn! Turn!
capa da edição mono (EUA)
Turn! Turn! Turn!
capa da edição stereo (EUA)
As duas capas que "colei" acima são para ilustrar, novamente, o curioso truque da indústria americana de discos para diferenciar as edições mono e stereo de um mesmo disco (vide minha postagem de 23 de janeiro com título "1-2-3-g-ravando", onde falei do disco dos Young Rascals).
Mais uma vez, a capa da edição stereo é pior que da edição mono, pois boa parte das vestimentas dos cinco "byrds" foi empurrada para trás (e escondida pelo cartão da contracapa) . Considerando-se a importancia que tinha (e continua tendo) o elemento fashion dentro da cultura pop, foi uma falha considerável.
Alguns anos depois que adquiri meu Turn Turn Turn mono, emprestei-o a um amigo, de iniciais P.P.P. ("Paixão Pelo Palmeiras", hehe). Na época o cara tinha a metade da minha idade, mais foi dele que recebi, pela primeira vez, muitas das dicas sobre as vantagens daquele exemplar mono (inclusive o comentário sobre a capa); se não fosse esse cara, hoje talvez eu tivesse cometido a burrice de substituir esse Byrds mono, já um pouco gasto, por um stereo near mint. É a ele que dedico este post.



Oi Claudio, fiquei tocado pelo seu post, que é muito legal (a exemplo dos outros).
ResponderExcluirPor pura coincidência, adquiri uma cópia em mono desse mesmo disco aí - Turn Turn Turn - na última feira na paulista (em janeiro de 2014), e chegando em casa fiquei embasbacado coma descoberta de um disco que na verdade eu não conhecia direito.
O Notorious Byrd Brothers eu prefiro em estéreo, mas só tenho a reedição mono (Sundazed), de modo que uma raríssima cópia original poderia me fazer mudar de opinião. But I guess I'll have to wait.
Um grande abraço
PPP
Meu grande amigo PPP, que bom poder recebê-lo nesta página!´Apenas lamento que você tenha deixado de ser 100% exatamente no dia dessa postagem (rsrsss). 1 abração!
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