sexta-feira, 11 de abril de 2014

Estórias

Prezado público leitor do PALIgAP, volto a me desculpar por ainda não achar a melhor maneira
para que todos consigam postar seus “comments”. Enquanto isso, recebi email de um amigo de iniciais S.M. (não é “sado-masoquista”, mas talvez seja quase isso: outro palmeirense!!), que terminava assim:
 
De qualquer forma, esta leitura tardia serviu para me colocar a par do que você escreve sobre música, em especial dos discos de vinil, os quais ainda considero objeto de fetiche e paixão. Vou acompanhar agora suas crônicas e aprender um pouquinho mais sobre música e suas histórias, às vezes mais interessantes do que o próprio conteúdo do disco.”
 
Respondi agradecendo, e a tréplica veio assim: “Acho que na próxima geração já não haverá mais discos, CDs ou mesmo obras completas de cada autor, apenas músicas, sem ficha técnica ou histórias para serem contadas! Pelo menos ainda tentamos dar uma sobrevida a estas histórias tão ricas.”
 
Estou publicando esse comentário do S.M. primeiramente pela razão óbvia de que apreciei os elogios ao blog, mas, além de tudo pelos trechos que estou sublinhando.
 
A maior parte da última frase do S.M. já tem sido objeto de debate com meus amigos disqueiros, e há até aqueles que são a favor de que, num futuro próximo, “não haja mais discos, CDs ou mesmo obras completas de cada autor, apenas músicas”.
 
Vamos pensar mais seriamente como fica essa questão “das histórias”... ou "estórias".
 
 

 
 



 

 
 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Sgt. Stereophonic's Club Band versus Their Monophonic Request

Quando o primeiro disco do Steppenwolf foi lançado, em 1968, houve até críticos americanos que achavam que o título do album era Stereophonic Steppenwolf, tão grandes eram os dizeres na capa destinados a essa informação técnica.
O PALIgAP orgulhosamente proporciona uma Mystery Tour por diversas edições do mesmo LP:
 
Primeira edição stereo, capa metalizada.

 
Segunda edição stereo, ainda com capa metalizada, mas acrescentaram um feioso retângulo "destacando Born To Be Wild"! 

 
Outra edição, a capa deixa de ser metalizada, em compensação o logo BTBW desaparece.
Essa foto que caçamos na internet provavelmente é da edição inglesa, pois tem no canto superior esquerdo o logotipo da RCA Victor, mas nós do PALIgAP possuímos um exemplar americano (Dunhill) com as características acima. E depois conseguimos outro exemplar, também da Dunhill, cuja capa continua não-metalizada, e retorna o feioso logo BTBW! E o curioso é que o envelope interno (com propagandas de outros discos da gravadora) é o mesmo em todos esses lançamentos (inclusive o que vou citar daqui a pouco), indicando que é tudo da mesma época!

De volta à época da primeira edição. Quem sabia que o disco tinha saído em Mono? Conseguimos esse raro exemplar, ouvimos e nos deu a impressão de não ser um mono mix, mas sim um mono redux (que alguns chamam de "falso mono"). Uma edição bem chique para enfeitar nossa prateleira (de novo a capa heavy metal thunder), mas o disco stereo é bem melhor de se ouvir.

quinta-feira, 13 de março de 2014

cada coisa!... (vou te contar)

Coisas
(Moacir Santos)

Em 24 de janeiro postei uma matéria com título "Coisas... de Moraes".
O album Coisas, do maestro Moacir Santos foi uma obra muito avançada para a época em que foi lançada (1965). A originalidade estava já nos títulos das faixas (todas elas instrumentais): cada música era uma coisa, e os títulos eram: "Coisa nº1", "Coisa nº2", "Coisa nº3"... até chegar na "Coisa nº10".
Examinando-se a ficha técnica, ficamos sabendo que as "Coisas" de 1 a 6 foram gravadas com um time de músicos, e as de 7 a 10 com outra formação (embora alguns músicos estejam presentes em ambas as etapas).
Depreende-se portanto que o maestro ia numerando as obras cronologicamente à medida que eram gravadas - e provavelmente usava esses números para colar uma etiqueta em cada rolo de fita.
Mas na hora de finalizar o disco, espalhou as 10 composições pelos 2 lados do LP da maneira que um produtor normalmente faz - essa aqui, por seu impacto, é boa pra abrir o disco, essa outra fica bem no meio do lado 2, etc...
Então, o album Coisas abre com a "Coisa nº4"; depois vem a "Coisa nº10", depois a "Coisa nº5", e por aí vai, até terminar, no final do lado 2, com a "Coisa nº8".
Em 2004 saiu uma reedição em CD do Coisas, e eu (possuidor do vinil), tive a ideia de presenteá-lo a uma velha conhecida, uma socióloga de inteligencia ímpar chamada Silvana.
 
A Silvana adorou o presente. Mas a inteligencia dela era tão singular que às vezes a levava a atitudes completamente inesperadas.
 
Logo depois que ela abriu o pacote com o presente, fiz menção de colocar o disquinho para tocar no aparelho de som dela. Mas a Silvana foi ríspida: "Claudio, eu me recuso a ouvir esse CD!"
 
"Puxa... você não gostou do meu presente?" respondi. E ela: "Eu sei que as músicas são boas, mas não engulo essa ordem misturada das "Coisas". Só escuto se começar com a "Coisa nº1" e terminar com a "Coisa nº10", e as outras "Coisas" no meio eu exijo que sejam na ordem numérica certinha!"
 
"NÃO SEJA POR ISSO", disse eu. "É só programar no cd-player a ordem que você quer".
 
E ela: "Ah, não, Claudio, não vem com essa! Você sabe que minha especialidade é Ciencias Humanas e tenho preguiça de aprender a mexer com essas coisas tecnológicas! Você não tem um amigo que faz gravação em CD? Pede pra ele copiar cada faixa desse CD pra um computador e em seguida passar pra um CD-R. O tempo total é muito menos que 80 minutos, dá pra finalizar a midia com folga".
 
Hoje, ao lembrar dessa última frase, percebo que a Silvana me enganou por todo esse tempo em que ela afirmou não entender nada de Ciencias Exatas.
 
Fiz como ela sugeriu, e meu presente acabou sendo um duplo-cd: substituí a embalagem acrílica original por uma daquelas para dois CDs, e a Silvana ficou com as 2 versões. Mas posso afirmar sem nenhum risco de erro que TODAS as vezes que ela ouviu o Coisas do Moacir Santos foi sempre no CD-R com o modo "ordinal", e nunca na forma "misturada". E teve uma surpresa quando ouviu a "Coisa nº5": "Êi, isso é 'Nanã'!"
 
De fato, uma das "Coisas" recebeu posteriormente letra de Mario Telles, e com o título "Nanã" foi regravada por uma infinidade de intérpretes: Wilson Miranda, Wilson Simonal, Nara Leão, Edison Machado, Mario Castro Neves, Conjunto Som 4, Sergio Mendes. Muitas dessas versões são instrumentais, mas mesmo assim têm o título "Nanã" e o crédito com o nome do letrista. Apenas no album original do Moacir Santos ela é identificada como "Coisa nº... nº... nº...
 
Ih... esqueci... esqueci qual é o número da "coisa" que gerou o "Nanã"! O que sei com certeza absoluta é que é nº2 ou nº5.
 
E há no disco outra faixa da qual também gosto muito, que é com certeza a nº5... ou a nº2! É uma melodia que gruda bem fácil no meu ouvido, com uma estrutura meio modal, e ficou bem acessível para mim porque a conheci também num disco de Sergio Mendes. O nome do disco é Você ainda não ouviu nada e ele traz outra composição originária do Coisas. Sabe que número? Não sei, é o "Nanã", creditada como "Nanã" de Moacir Santos e Mario Telles!

 Você ainda não ouviu nada!
(Sergio Mendes & Bossa Rio)
Então, temos uma espécie de problema de aritmética: temos 2 músicas, uma é a 2 e a outra é a 5. Para lembrar qual é qual, estou com todos os discos aqui ao meu lado, do Moacir Santos e do Sergio Mendes, em vinil e em CD, e em alguns segundos eu os consulto para saber qual é qual, mas logo depois, quando vou digitar essas linhas, já esqueci!
 
Essa traquinagem do Moacir Santos, de inventar um disco com esses títulos bizarros, me causou uma enorme enrascada na última segunda-feira, dia 10 de março. Mas a culpa não foi tanto dele.
 
A culpa foi da Silvana, que um dia antes fez uma enorme maldade comigo. Já a perdoei, mas confesso que, sabedor de todas as virtudes de seu caráter, eu realmente não esperava que a Silvana fosse aprontar essa, naquele dia 9 de março:
 
Ela morreu. Faleceu no início daquela tarde de domingo.
 
Teve uma repentina dificuldade respiratória, e morreu em casa, descansando. Não dormindo, mas talvez coisa melhor que isso: morreu ouvindo uma música de bossa nova bem singela. Uma de suas filhas, a Paula, intuindo que a hora ia chegar, pôs no aparelhinho portátil ao lado da cama este disquinho:

Wanda Vagamente
(Wanda Sá)
Silvana morreu (e a música a acalmou), e a Paula continuou ouvindo até o fim o cd "Vagamente" da Wanda Sá. E sugeriu que a cerimonia de cremação fosse acompanhada pelo som desse disco, talvez na íntegra. Imaginávamos que a cerimonia duraria entre 30 e 40 minutos, o tempo certinho para caber um disco originalmente gravado no formato LP. Mesmo assim, tive a ideia de pegar, na casa da Silvana, o cd-duplo Coisas que eu tinha presenteado. Poderíamos dividir a cerimonia em duas partes, e em cada uma tocar parte de um dos CDs (mas também não podíamos deixar de incluir alguma música da Elis Regina, que a Silvana adorava).
 
Olhando para a contracapa do CD do Moacir Santos fiz uns rápidos cálculos mentais: a "Coisa nº5" era a faixa nº3, e a "Coisa nº2" era a faixa nº5. Já perceberam a bagunça, não é? Mas pelo menos tive certeza que se tocássemos a primeira metade do CD estariam inclusas as duas que eu queria (a que se tornou "Nanã" e a que não se tornou "Nanã").
 
Mas... e se na hora H eu precisasse escolher uma dessas duas? Eu preferia muito mais que fosse a "não-Nanã", por achá-la mais apropriada para a cerimonia. Tentei de tudo quanto é jeito mentalizar as vezes em que ouvi esse disco, e não conseguia lembrar qual vinha primeiro! Procurei algum indício no encarte, talvez um crédito ao Mario Telles, mas nada feito... aliás, o Mario Telles é creditado em outra faixa, que com certeza não era a que me "desinteressava"!
 
Na hora da inscrição para a cerimonia fomos informados, como temíamos, que a "trilha sonora" não podia passar de 10 minutos. Então, na maior pressa, tivemos que escolher 3 músicas: uma da Wanda Sá ("Vagamente", a faixa-título do seu disco), uma da Elis e uma do Moacir Santos.
 
E eu tive que decidir entre a "Coisa nº2" e a "Coisa nº5". Fiz ainda um esforço rememorativo e escolhi uma das duas. Não lembro o "número da coisa". Entreguei o cd original (o da fábrica) para o operador, e precisava dizer qual o nome da música que eu queria. Já viu a bagunça, né? A Paula me advertiu: "Claudio, vai dar errado, porque a faixa-número-isso é a coisa-número-aquilo, como garantir que ele não vai errar?"
 
Chegou então a hora do tio Claudio dizer "NÃO SEJA POR ISSO" pela segunda vez neste post do PALIgAP! E triunfalmente busquei no fundo da embalagem o CD-R com as "coisas" na ordem numérica!
 
Pronto! Não havia mais erro! Eu só precisava dizer ao operador se era pra tocar a faixa 2, que era a "Coisa nº2", ou a faixa 5, que era a "Coisa nº5".
 
E aí, Claudio? 2 ou 5? 5 ou 2? O encarte do cd trazia o tempo de cada faixa: uma tinha pouco mais de 2 minutos; outra tinha mais de 4. Embananei-me inteirinho. A Paula me "ajudou" a fazer as contas para dar direitinho os 10 minutos, mas desconfio que, graças a uma trapaça dela, conseguimos malandramente criar uma trilha sonora que ultrapassava os 12 minutos.
 
Resumindo: uma das duas, 2 ou 5, foi escolhida para fazer companhia à Wanda e à Elis.
Eu sabia muito bem que ambas eram ótimas músicas. Mas era uma espécie de questão de honra que tocasse aquela que eu planejara...
Confidenciei essa insegurança a um sobrinho, que respondeu: "Tenho certeza que as duas músicas são boas, é só você não dizer a ninguém se acertou ou errou!"
 
Percebi que ele tinha toda razão, e procurei ficar tranquilo. Mas, quando vi o operador entrar na cabine atrás do templo levando a pequena pilha de 3 disquinhos, tive me segurar pra não ir lá correndo e dizer: "Moço, deixa eu confirmar qual a faixa escolhida... Ah! É a 2? Não, por favor, não toca a 2, toca a 5!"
 
(ou então a variante: "Ah! É a 5? Não, por favor, não toca a 5, toca a 2!")
 
Desisti disso ao constatar que eu corria o risco de deixar errada uma coisa que estava certa, o que certamente me faria arrancar quase todos meus cabelos, deixando apenas os brancos.
 
A cerimonia foi bonita e emocionante. Todos apreciaram as músicas. Esta crônica chega agora ao seu final e, mesmo que eu dissesse se acertei ou errei na "coisa" do maestro Moacir Santos, não adiantaria nada, pois não posso me furtar ao dever de informar ao leitor que este é um relato verídico na essencia, mas misturado a elementos de ficção.
 
E, naquela cerimonia, quem matou a Silvana pra valer não foi nem uma nem outra coisa do Moacir Santos.
 
Foi a Elis ("Travessia").
 
 
 
.                             Silvana Finzi Foá
.                               (1950-2014)
 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

to everything there is a season: a time for stereo, a time for mono

Ontem levei uma amiga para conversar, ouvir boa música e beber umas cervejas exóticas num bar bem no Centro da cidade de SP. As mesinhas ficavam num subsolo que felizmente estava bem climatizado, já que o calor nesses dias anda insuportável.
Mas o que mais me impressionou foi a qualidade da música de fundo. De umas caixas acústicas bastante bem colocadas, rolava uma seleção musical inacreditável. Vou listar aqui uma pequena amostra:
 
"I wish you would" com os Yardbirds;
"Situation Vacant" dos Kinks;
"She's a rainbow", que me fez virar um leitor atento de contracapas quando eu tinha 14 anos graças à presença do Nicky Hopkins;
"Green River", do Creedence, que conheci na trilha sonora da novela Beto Rockfeller;
"To Ramona", não na voz do seu compositor (Dylan) mas na linda versão dos Flying Burrito Brothers;
The Flying Burrito Brothers
3º album, inclui 'Ramona'
"Tangerine", para a qual o Renato Russo chamava a atenção de seus colegas de adolescencia, afirmando "essa música [do Led] é muito melhor que Stairway to Heaven!" (li isso numa biografia, e aviso que não sou fã da Legião Urbana, mas precisamos admitir que o Renato sabia várias coisas);
"Pleasant Valley Sunday"... incrível como este minor hit dos Monkees está sendo citado pela segunda vez (consecutivamente) aqui nos posts do PALIgAP!
"Wasn't born to follow", outra linda composição de Goffin & King que os Byrds tornaram ainda mais bela (está na trilha do Easy Rider);
"Wild Child", obscuro lado B dos Doors;
"Get it on (Bang a gong)" do T. Rex;
"I can't make up my mind"... quando tocou essa obscura canção dos Zombies, peguei no braço da minha amiga e disse: "Preste atenção nisso!! Quem será esse programador que foi adivinhar uma das minhas pérolas favoritas??"

E voltei a cutucar a moça quando começou a tocar outra dos Byrds, "It won't be wrong". Disse pra ela, "essa também é bárbara!"
Mas, quando tinha rolado mais ou menos meio minuto da música, senti uma decepção: o audio do bar, que até então eu estava achando ótimo, me pareceu uma porcaria!
 
Mas a culpa não era tanto assim do pessoal do bar. A explicação é que estavam tocando essa música em sua mixagem stereo. As caixas acústicas estavam bastante separadas, e para que ninguém diga que sou inimigo do stereo, a separação de canais criou uma ambientação muito boa para, exemplificando, "Tangerine", "Bang a gong", e ATÉ MESMO a outra música dos Byrds que foi tocada antes ("Wasn't born to follow").
 
Mas no caso de "It won't be wrong" e todo o album ao qual essa faixa pertence, o stereo é desastroso.
 
Isso me remete à época que adquiri o disco em questão, Turn Turn Turn.
 
Comprei-o num dos encontros (FEIRAS) de colecionadores que naqueles idos de 1987 eram feitos num galpão da rua Matias Aires. O disco pertencia a um colecionador argentino (de quem viria a comprar outros discos, quando ele se tornou proprietário de uma loja).
Fiquei receoso em adquirir o disco, pois sua superfície apresentava vários arranhões, e havia um agravante: o disco não era estereofônico. Mas o preço era convidativo, e o dono do disco, falando com seu carregado sotaque portenho, garantiu que os riscos eram superficiais e o disco tocava direitinho. Fiz portanto a compra.
Quando cheguei em casa e pus o disco para tocar, foi uma felicidade imensa, pois a prensagem era tão boa, e o som tão alto e nítido, que os eventuais chiados ou estalidos se tornavam imperceptíveis!
 
Hoje, infelizmente não tenho mais o hábito de registrar a data em que adquiro cada disco de minha coleção. Mas na época eu anotava tudo minuciosamente, então posso dizer que 19 de julho de 1987 significou (já que o disco se chama Turn Turn Turn) um turning point em minha maneira de se prestar atenção ao som de um disco. Como diz uma outra amiga (também apreciadora de cervejas exóticas, de preferencia acompanhadas de azeitonas), talvez comecei a aprender um pouco as diferenças entre escutar e ouvir...
 
Claro que não percebi nada disso (sobre essa data divisora de águas) na ocasião. Escrevo isso hoje fazendo um retrospecto. Mas com certeza, logo depois daquela data, rapidamente passei a perceber que, muitíssimas vezes, uma edição mono dá de dez a zero em seu equivalente stereo.

Turn! Turn! Turn!
capa da edição mono (EUA)
 
Turn! Turn! Turn!
capa da edição stereo (EUA)
 
As duas capas que "colei" acima são para ilustrar, novamente, o curioso truque da indústria americana de discos para diferenciar as edições mono e stereo de um mesmo disco (vide minha postagem de 23 de janeiro com título "1-2-3-g-ravando", onde falei do disco dos Young Rascals).
Mais uma vez, a capa da edição stereo é pior que da edição mono, pois boa parte das vestimentas dos cinco "byrds" foi empurrada para trás (e escondida pelo cartão da contracapa) . Considerando-se a importancia que tinha (e continua tendo) o elemento fashion dentro da cultura pop, foi uma falha considerável.
 
Alguns anos depois que adquiri meu Turn Turn Turn mono, emprestei-o a um amigo, de iniciais P.P.P. ("Paixão Pelo Palmeiras", hehe). Na época o cara tinha a metade da minha idade, mais foi dele que recebi, pela primeira vez, muitas das dicas sobre as vantagens daquele exemplar mono (inclusive o comentário sobre a capa); se não fosse esse cara, hoje talvez eu tivesse cometido a burrice de substituir esse Byrds mono, já um pouco gasto, por um stereo near mint. É a ele que dedico este post.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

ainda naquele mesmo ano (1990)...

Later That Same Year
Depois de minha recente postagem narrando (entre outras coisas) algo que aconteceu no final de 1990, idealizei um título em inglês para a postagem seguinte, e só depois me caiu a ficha que a frase em questão era o título do album acima...

A faixa-destaque do album acima (acho que dá pra ler, em sua capa, a chamadinha no canto direito superior, né?) é a mesma célebre composição de Joni Mitchell que, acho que muitos concordarão comigo, é bem chatinha na interpretação da autora, e mereceu uma versão bem mais bacana com Crosby, Stills, Nash & Young, tão bacana que acabou sendo a versão usada na trilha do famoso documentário.

Porém, eu chamaria a atenção do leitor do PALIgAP para que procure também conhecer a canção "Woodstock" na bonita versão dessa banda aí ilustrada, sobre a qual não sei muito, a não ser que era liderada por um certo Ian Matthews que participara da primeira formação do Fairport Convention (e seu nome artístico anterior era Ian McDonald, não confundir com o homônimo que tocou no King Crimson).
Uma semana após o show do Johnny Rivers no Olympia (que narrei no post de ontem c/ título "Guitar Hero"), a minha amiga e eu fomos surpreendidos com a notícia de que outra artista internacional se apresentaria na mesma casa de shows.
Eu tinha adquirido há pouco o vinil "Rhymes & Reasons", que acabaria se sedimentando como meu disco predileto da Carole King, mas mesmo assim não fiquei muito animado a ir.
Dois shows em dois fins-de-semana consecutivos (e ainda por cima no mesmo teatro) era um pouco cansativo, sem contar certos "micos" que tivemos que aguentar na semana anterior, que preferi omitir em minha narração do Johnny Rivers: como a grana era escassa, tivemos que assistir aquele show numa espécie de "poleiro" e, pior que isso, tivemos que dividir a mesa com outro casal que era muito chato!
Resumindo: resolvi "deixar passar" o show da Carole King. Mas mudei completamente de ideia na véspera da apresentação, quando um telejornal a entrevistou, talvez em algum saguão de hotel ou mesmo no aeroporto paulistano.
Na hora em que o repórter pediu alguma dica do que o público poderia esperar de seu show, ela olhou bem de frente para a câmera, mais ou menos na mesma posição da foto abaixo, abriu um sorriso também semelhante ao da foto porém muito mais escancarado, e disse, com muita firmeza: "WE'RE GONNA ROCK!!"


"We're gonna rock"

Imediatamente telefonei à minha amiga (a que me acompanhou pra assistir o Johnny), e fui falando: "Vamos lá!! Temos que ir!! Precisamos providenciar logo os ingressos, porque algo me diz que vai ser um puta show!!" 
(acabo de digitar a palavra que preferi substituir por "tremendo" ao descrever as habilidades guitarreiras do Johnny Rivers)
Dispusemo-nos até a aguentar os mesmos "micos" que o Olympia nos proporcionou antes. Compramos ingresso para o mesmo "poleiro", mas para nossa sorte outro amigo também se interessou em ir conosco. O ideal seria irmos em quatro; não encontramos essa quarta pessoa mas, estando em três numa única mesa, as estatísticas estavam a nosso favor: no pior dos casos seríamos maioria contra um único intruso pentelho.
Na noite do show (um sábado), sucedeu uma coisa que a Carole King não merecia: foi muito pouca a procura por ingressos.
O esquema era aquela caretice de mesas em vez de um auditório com poltronas (ou pista, já que ela tinha declarado que era "do rock"). Imaginem como seria constrangedor para a Carole King, tocar para um grande salão repleto de mesas vazias!
Foi aí que o futuro escritor do PALIgAP e mais outras centenas de felizardos ganharam seu premio na Mega-Sena (ou quase isso...):
À medida que o público chegava no teatro da rua Clelia, uma equipe de recepcionistas convidava TODOS aqueles que tinham comprado ingresso para a Plateia Superior a ocuparem, sem nenhum custo adicional, as mesas do salão inferior!
Resultado: assistimos ao show numa posição totalmente VIP! E já que a Carole King disse "We're gonna rock" vou fazer apenas 2 comentários de 2 momentos bastante roqueiros (dos momentos mais calmos, lembro de um ponto fraco, onde a culpa não foi da Carole: o piano que o Olympia disponibilizou era tão ruim que, na hora de fazer o solo instrumental da canção "It's too late", a Carole foi obrigada a vocalizar junto, ou seja, cantar cada nota para disfarçar a má afinação do instrumento!).
Talvez por raiva do piano, ou talvez simplesmente por ser "do rock", depois ela cantou uma música inteira DE PÉ EM CIMA DO PIANO! (a música era "Pleasant Valley Sunday", um rock bem agitadinho que ela e seu ex Gerry Goffin fizeram de encomenda para The Monkees)
Esse foi o melhor "momento Jerry Lee Lewis" da minha vida, e arrisco dizer que foi bem melhor que o vivido pelos conhecidos meus que assistiram ao vivo esse famoso performer (num show que não durou nem meia hora, com um Mr. Balls of Fire completamente bêbado)!
Outra coisa curiosa foi quando ela disse "E agora, um blues para vocês!", e começou a cantar "Chains", que a maioria de vocês deve conhecer com os Beatles.
Acontece que a versão dos Beatles, de blues não tem nada (mesmo com a gaitinha do Lennon). A gravação original (com The Cookies, um girl-group bem pop, como eram todos os girl-groups dos anos 50) tem menos ainda de blues.
Felizmente, nessa noite do final de 1990, ela interpretou "Chains" com o mesmo arranjo de um disco de regravações (de clássicos da dupla Goffin-King) que ela fizera em 1980. O disco se chamava Pearls, e quando eu comprara meu exemplar já tinha reparado: "Engraçado! Esse 'Chains' tem uns solinhos de guitarra... está meio com cara de Bluesbreakers!" (a banda de John Mayall com muitos guitar players sucessivos: Eric Clapton, Peter Green, Mick Taylor...)
No início desta matéria mencionei qual é meu disco preferido da Carole King, e agora acrescento que, na única vez que elegi os 10 melhores discos de minha coleção (isso já faz algumas décadas), ele foi incluso.
Eis sua capa:



Rhymes & Reasons

Para se compreender o disco acima existe um truque, de eficiencia comprovada para ouvintes do sexo masculino: ouça o disco inteiro prestando especial atenção na atuação do baixista (Charles Larkey). Quando terminar a última faixa ("Been to Canaan", que ela cantou naquela noite no Olympia) você estará se sentindo um King.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Guitar Player


Eu não sabia se chamava este post de "Guitar Player" ou de "Guitar Hero". Acabei escolhendo a primeira opção por causa de uma revista estrangeira, da qual conheci muito poucos exemplares, mas que me impressionou bastante por sua seriedade.
A primeira revista "Guitar Player" que conheci trazia na capa o Frank Zappa. E o Zappa é um de meus Guitar Heroes, ao lado de Hendrix, Mike Bloomfield, Roy Buchanan e algumas fases do Clapton.
Alguns de vocês vão se espantar ao ver essa foto acima (tirada nos anos 60) ilustrando um post chamado "Guitar Player". De fato o rapazinho está tocando uma guitarra (é uma Gibson?), mas quem o reconheceu sabe que ele nunca foi um famoso guitarrista, e sim um famoso cantor (talvez mais famoso no Brasil que em seu país natal, os Estados Unidos).
Em 1990 assisti a vários shows importantes. Vi o primeiro show brasileiro do Bob Dylan (no Hollywood Rock); vi o Paul McCartney no Maracanã; vi o Eric Clapton na (hoje extinta) casa de shows Olympia, na rua Turiassu.
No início de dezembro daquele ano, uma amiga querida (querida até os dias de hoje) fez-me uma proposta que me pareceu meio brega: "Vamos assistir o Johnny Rivers no Olympia?"
Devo confessar que aceitei ir muito mais pela qualidade da companhia do que pela qualidade que eu esperava do show.
O início do show foi meio esquisito, pois o que vi foi um trio de guitarra-baixo-bateria, com muito mais ênfase no instrumental que nas partes cantadas. Para dizer a verdade, o que me surpreendeu um pouco foi o visual do Johnny Rivers, pois há mais de vinte anos eu via ele em fotos como a da capa de disco abaixo (um dos que mais gosto em sua obra gravada):
Slim Slo Slider
Desta vez, porém, em vez do visual hippie, ele estava com um cabelo bem curtinho, de terno, muito parecido com a foto que abre este post (que afirmei ser da década de 1960, mas não tenho tanta certeza assim).
E, mais que o visual, o que me surpreendeu foi o que me levou a responder assim, a cada um que me perguntou sobre o show nos dias seguintes: "Eu não sabia que ele é um tremendo d'um guitarrista!" (a palavra não foi exatamente esta que ressaltei em negrito)
E depois afirmei, sem nenhum medo de errar: "Ele solou tudo que o Clapton não solou em seu show no meio deste ano!"
De fato, o show do Clapton não fôra tudo o que eu esperava, e a comparação foi incentivada pelo fato de que eu assistira a ambos no mesmo auditório.
Outro fator que forçou a comparação é que, agora em dezembro, houve uma espécie de "jam" em que o Johnny Rivers tocou um longo trecho de "Hideaway", um standard dos blues que fez parte do repertório de Clapton quando este integrou a banda Bluesbreakers, do lendário John Mayall.
Para não dizer que o show foi maravilhoso, a segunda parte foi um pouco frustrante, quando o trio de guitarra, baixo e bateria foi aumentado por duas "peruas" cafoníssimas que entraram no palco para fazer os backing-vocals.
Agora vou comentar outro show do Johnny Rivers, mas antes devo dizer que esse show em dezembro de 1990 não encerrou minha "agenda" daquele ano. Num próximo "post" falarei de outra surpresa que me aguardava na semana seguinte, naquele mesmo Olympia...
Faço um salto para 1998, um domingo ensolarado no Parque do Ibirapuera, quando vi um "guitar player" completamente diferente daquele do Olympia, e é difícil dizer qual dos dois era melhor!
Desta vez o Johnny estava com uma cara um pouco mais parecida com a da foto acima, acrescida porém de uma barbicha. Mas a pose era essa aí: totalmente roqueira (e essa guitarra aí só pode ser uma Gibson!)
Era uma banda de cinco músicos, incluindo o cantor: tinha um tecladista, um baixista, um baterista e um guitarrista que fazia os solos. Mas durante o tempo todo o Johnny, além de cantar, não parou de tocar guitarra-base.
O momento "guitar hero" aconteceu num momento que eu chamaria de sincronicístico, porque aconteceram duas coisas, e eu não consigo me lembrar qual delas eu percebi primeiro. Portanto, vou enumerá-las, um e dois, não lembro a ordem, mas terminou com as duas coisas acontecendo ao mesmo tempo:
1 - um rapaz levantando sua namorada nos ombros, para que ela enxergasse melhor o palco, e essa moça usava uma camiseta com a estampa do Jimi Hendrix;
2 - Johnny Rivers, que até então só tocara músicas conhecidas de seu próprio repertório, nessa hora executou uma perfeita "cover" da canção "The Wind Cries Mary", do primeiro album de Jimi Hendrix, Are You Experienced (a edição norte-americana)!
(houve outra surpresa, outra música que não fazia parte do repertório gravado do Johnny: "The Letter").
Entre esses dois shows, passei a escutar seus discos com mais atenção, e foi só então que passei a reparar no dedilhado que existia em tantas músicas, que poderia muito bem ser de um músico acompanhante, mas percebi que havia um estilo comum, em vários albuns.
Agora, de memória, sem estar ouvindo seus discos, se eu tiver que aconselhar ao leitor uma canção que seja emblemática do "toque do guitar player Johnny Rivers", sugiro a canção "Look to Your Soul", do album Realization.
Realization
Ops! Após uma pausa (gap) de várias horas, estou finalizando esta matéria com o Realization girando no toca-discos, e percebo que a faixa que citei pode não ser o exemplo ideal, pois estou escutando "Look to Your Soul" e não estou conseguindo ouvir com nitidez as tais guitarras. Mas... juro que elas estão lá (enterradas na mixagem). O fato é que cada vez que mentalizo essa música eu me acompanho imaginariamente com essas guitarras, ignorando o resto do arranjo. Talvez este seja o truque para eu poder acrescentar no meu curriculum que... aprendi a tocar guitarra com o Johnny Rivers!!

sábado, 25 de janeiro de 2014

minhas aventuras colecionando Led Zeppelin - parte 1

Você que começa a ler esta matéria poderá ter a ideia de que o Led Zeppelin é uma das bandas que formam meu Top Ten ou quem sabe Top Five de predileção. Não, absolutamente não é, e talvez é justamente por isso que falo deles nessas minhas primeiras aprendizagens de blogueiro. Pra mim ainda é muito complicado narrar minhas andanças com os vinis do Frank Zappa e do Jethro Tull - de qualquer forma, tenho intenção de citar um desses 2 nomes no final da postagem.
 
Esta matéria tem o subtítulo "parte 1", mas não fala do primeiro disco que adquiri do Led, e sim do Led Zeppelin I, e aproveito para substituir a fonte Arial por outra porque fico inseguro ao ler algarismos romanos não serifados.
 
Comecei comprando o Led IV na época de seu lançamento aqui no Brasil (1972), mas pouco tempo depois, quando decidi que o Led era uma banda colecionável, os 3 álbuns anteriores já estavam fora de catálogo - o que era até um alívio, pois aquelas edições da CBD Phonogram tinham umas capas fantasmagóricas, principalmente o segundo LP, cuja contracapa ostentava um horripilante texto do Nelson Motta.

Em comparação, a capa da primeira edição nacional do Led I era caprichadinha, mantendo inclusive o fundo cor-de-laranja na contracapa. Mas eu, na época, me recusaria a comprar aquela edição, que era tão pobre, mas tão pobre que... nem sequer era em stereo!
 
Bem, fosse stereo ou fosse mono, o fato é que aquela edição estava fora de catálogo.
 
Nossa oportunidade de montar a coleção do Led surgiu em 1974, quando o Led I foi relançado no Brasil. Falo "nossa oportunidade" porque, além de mim, muitos adolescentes da minha idade também compraram o disco (lembro até que comprei o meu numa loja da Avenida São João, por um preço um pouquinho mais baixo que o das lojas que eu frequentava mais: Brenno Rossi, Museu do Disco, Bruno Blois).
 
Tenho certeza que todos esses colegas adolescentes tiveram a mesma sensação que eu quando colocaram o disco pela primeira vez em suas vitrolinhas: o impacto causado pela primeira faixa, "Good Times Bad Times". Essa música nunca tocava no rádio, então tenho certeza que quase todos nós a conhecemos diretamente de nossos vinis. Não afirmo que tenha sido um impacto atordoante, estrondoso, como fora o caso com "Whole Lotta Love", "Immigrant Song"... a gente apenas pensava: "puxa, essa musiquinha até que é bem bacana..."
 
Mas havia um porém. Os discos do selo Atlantic tinham passado a ser lançados aqui no Brasil pela fábrica Continental, que rapidamente ganhou o apelido "Conxiiinental", tamanha era a quantidade de chiados que vinham embutidos em cada exemplar vinílico!
 
A cada disco que adquiríamos da Continental (e eram muitos os artistas: Rolling Stones, Yes, Emerson, Lake & Palmer, King Crimson, Neil Young) vinha aquela enxurrada de reclamações de nossa parte (nós, pobres consumidores). Só como exemplo, vamos destrinchar as deficiencias desse Led Zeppelin I:
 
1 - Ao contrário da edição anterior (com contracapa alaranjada), essa aqui vinha totalmente em branco e preto;
2 - Havia um erro de edição de som no lado um: no master original a faixa "You Shook Me" (um blues de autoria de Willie Dixon) tinha seu final emendado com o início da música seguinte, "Dazed and Confused". Aqui no Brasil foi criado o tradicional intervalo de 3 a 5 segundos (nunca ouvi na íntegra a edição da CBD Phonogram, mas sei por fonte segura que lá fora respeitada a concepção do master original). Pelo menos não repetiram o erro no lado dois, onde mantiveram corretamente a transição sem intervalo entre "I can't quit you baby" (do mesmo bluesman) e a faixa que encerra o disco, "How many more times".
 
Faço um salto agora para os anos 90, quando o CD virou coqueluche, diversos colecionadores se desfizeram de seus vinis, e o resultado é que, em poucos anos, sempre frequentando sebos, consegui que a quase totalidade dos meus LPs de fabricação nacional fosse substituída por seus originais importados, pagando preços muito baratos. Imaginem vocês meu alívio ao adquirir o Led Zeppelin I em sua prensagem norte-americana da Atlantic Records, com o característico selo vermelho e verde, e poder me livrar do meu "Conxinental", oferecendo-o a preço de banana num desses mesmos sebos. E o melhor de tudo era poder ouvir aquele som de um jeito bem pauleira! É verdade que estranhei um pouco a ausencia de agudos em "Good Times Bad Times", mas seria questão de eu me acostumar...
 
Pois bem, caro leitor... devo confessar que levei um par de anos pra me conscientizar da cagada que eu tinha cometido desfazendo-me do exemplar Continental, que já não chamo mais de Conxinental porque... sim, os chiados realmente existiam, mas junto com os chiados
havia um trabalho técnico de contraste entre graves e agudos que era muito melhor que aquela MERDA importada, com os agudos totalmente abafados! Provavelmente era uma reedição do final dos anos 70 ou início dos 80. Seria preciso caçar uma primeira ou segunda prensagem, o que para mim ainda era difícil distinguir na hora da compra, pois os discos da Atlantic americana, desde que existe o Led Zeppelin, sempre vêm com o mesmo selo vermelho e verde!
 
Mas eu, de certa forma, já sabia o caminho das pedras: já tivera a sorte de conseguir o Led Zeppelin III e o Led Zeppelin IV em suas edições inglesas.
Não é tão difícil achar um LP Atlantic britânico com o mesmo selo vermelho e verde dos Estados Unidos. A dica que dou agora ao leitor-colecionador é ir sempre atrás deste selo aqui embaixo:

 
Até o comecinho dos anos 70 (afirmo isso porque meu Led IV, de 1971, é com o selo acima), a Atlantic inglesa mantinha em seu selo as mesmas cores que a matriz americana tinha abandonado na metade dos anos 60. Para ser mais específico, essas cores acima caracterizavam as edições mono da Atlantic americana, ao passo que as edições stereo eram uma combinação de azul e verde, e outras duas combinações de cores eram usadas para o mono e para o stereo da subsidiária da Atlantic chamada Atco.
 
Dos discos da Atlantic inglesa com o selo acima, todos que conheço são stereo (os Led's citados e o In-a-gadda-da-vida do Iron Butterfly). Mas os dizeres mágicos estão na parte inferior desses selos.
 
Consegue visualizar a ilustração, caro leitor?
A Atlantic inglesa mandava prensar seus discos na Polydor! E as prensagens da Polydor inglesa dessa época (metade dos anos 60  até início dos 70) eram um arraso, conforme tive o prazer de conferir em LPs do Cream, de Jimi Hendrix e do Who (estes dois últimos através do selo Track).
 
Quando encontrei o Led I com o selo acima na feira de colecionadores que se realiza algumas vezes por ano na av. Paulista (assunto para futura matéria) percebi que minha busca tinha terminado. Abandonei a edição americana e recuperei para meus ouvidos a estridencia das audições dos anos 70 de "Good times bad times" e "Babe I'm gonna leave you".
 
Isso tudo na mesma época em que, depois que tive (e ainda tenho) tantos exemplares importados da magnífica antologia do Jethro Tull chamada Living In The Past, meu prazer auditivo só foi recuperado quando consegui de novo a primeira edição (segunda encadernação) dessa maravilha, igualzinha ao exemplar que eu comprara (e depois me desfizera) em 1973... Outro bom trabalho da Gravações Elétricas S.A./Discos Continental!!!