quinta-feira, 8 de maio de 2014

post-relâmpago pro Jairzão



A lembrança mais peculiar que guardo do Jair Rodrigues é a de um feriado de aniversário da cidade de São Paulo, quando ele participou (como convidado) de um show gratuito de Caetano Veloso, na esquina que este ajudou a celebrizar com a canção “Sampa”.

Contentei-me em assistir a esse show pela televisão, mas na véspera estive em loco para aplaudir o grande Germano Mathias. Fiquei sentado confortavelmente numa mesinha de bar na calçada (o mesmo bar onde fiz inúmeras happy-hours com os amigos roqueiros; não vou fazer merchandising neste momento, mas adianto que o nome do bar não tem nada a ver com nenhuma marca de cerveja).

Mas vamos ao que interessa. A produção convidou outros artistas para dividirem o palco com o Caetano, entre os quais, por exemplo, o Jairzinho (Oliveira), que não fez feio. Mas hoje estou homenageando o Jairzão-pai que, entre outras canções, apresentou um dueto com o Caetano: nada menos que o célebre “pupurri” celebrizado no disco “Dois na Bossa” (Elis e Jair), mas com uma peculiaridade. Tento repetir mais ou menos, de memória, as palavras de Caetano para explicar o que eles iam apresentar:

“Olha, gente, enquanto nós dois ensaiávamos este número, ficou verificado que o Jair lembra com perfeição desse pupurri, tanto as partes que ele costumava cantar como as partes da Elis Regina! Então hoje vamos experimentar algo diferente: o Jair vai cantar as partes que eram da Elis, e eu vou me encarregar das partes que eram dele...”

Dois na Bossa
(1965)
Ain’t that peculiar? Vejam a continuação da fala do Caetano:

“... e, posto que eu não consegui memorizar tão bem a sequencia, o Jair vai me ajudar com algumas deixas para cada vez que eu for entrar...”

Resultado, senhores leitores: fiquei surpreso porque o Caetano, conhecido pela sua habilidade de saber de memória tantas canções populares, não lembrava nada desse pupurri! E, na minha opinião, faltou-lhe profissionalismo, pois ele tinha obrigação de ensaiar melhor esse número! Resultado: do que originalmente era um dueto, o Jairzão cantou uns 90 por cento!!

"Que é que eu digo, Jair?"
(25/1/2004)
O saldo positivo é que, com a inversão de papéis, o Jair foi escalado para cantar um verso do Cartola que originalmente era cantado pela Elis, mas que combina muito mais com ele: “A sorrir eu pretendo levar a vida...
Jair Rodrigues
(6/2/1939 - 8/5/2014)

9 comentários:

  1. Uma bonita página de recordação do grande artista que foi Jair Rodrigues.

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    1. O Jair gravou samba, baião, música sertaneja, rap... pergunto a você, Washington: algum rock 'n' roll? Na RONDA DAS HORAS, sei que ele flertou com o iê-iê-iê, com o nada memorável verso “No HELP eu aprendo inglês”... um abraço.

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  2. olá Claudio, long long time no hear! Não sabia que estava com blog. O Jair foi contratado pela Philips como 'cantor de seresta' - era o que ele cantava, serestas, toadas, aquele material tradicional da MPB, e música caipira. Uma npoite o Alfredo Borba (produtor e diretor artístico da Philips) foi ver seu contratado cantar na noite e lá pelas tantas o Jair cantou um samba. O Borba pirou e na mesma semana fez o Jair gravar 'O Morro Não Tem Vez'. A 1ª vez que ouvi o Jair por acaso me lembro, foi no pgrm Sambalanço, de Fausto Cano, na Rádio Bandeirantes, O Canova 'cantou': Jair Rodrigues vai ser o maior cantor de samba. Eu não me impressionei; na época, só gostava de rock, folk e bossa nova. Até! (rené ferri)

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    1. Olá, René! É um TRIANGLE (dig it?): Rock Around The Clock - Ronda das Horas - WOP-BOP-a-Loo-Bop-Lop-Bam-Boom... pra não ser hermético demais: minha resposta anterior foi ao Washington, que escreveu e publicou uma biografia da Nora Ney focada no fato de ter sido dela a primeira gravação brasileira de um rock, NA RONDA DAS HORAS, versão para o clássico do Bill Haley. Tem mais "Wop-Bop" se você buscar a primeiríssima postagem (22 ou 23 de janeiro) deste blog. Um abração!

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  3. Grande Jair Rodrigues, sem duvida um dos melhores e mais versateis cantores brasileiros, bom de seresta, sambinha, sambão, bossa nova, jequibau, musica caipira e até proto-rap...

    E posso me gabar de ter tocado com ele uma vez. Meu programa Radio Matraca foi uma das atrações na programação da Gazeta AM quando comandada por Alberto Helena Jr.; outras incluiram Moacyr Japiassu, Moraes Sarmento, Passoca e Wandi Doratiotto. O lançamento deste novo elenco da emissora foi comemorado numa festa-show na casa Stardust, no Itaim, e incluiu muitos artistas convidados e convidadas. Um foi Jair, que estava lançando um (belo) disco sertanejo, e cantou algumas canções dele acompanhado por playback gravado. Alguém pediu para ele cantar "Disparada", ele disse que não tinha acompanhamento, disseram "pode ir so com violão mesmo", alguém gritou "vai você, Ayrton!", respirei fundo e la fui eu, sem ensaio nem nada... e ficou bom, rerrerre, ainda mais juntando a jà significativa emoção do evento com a de acompanhar um artista como Jair.

    E lamentàvel ele ter morrido de forma tão casual (uma congestão causada por excesso de alimentação antes de sua costumeira sauna matutina)... Jair se cuidava bem, era um guri de 75 anos, até mais jovial que seu (também talentoso) filho Jairzinho, so o cabelo embranqueceu. Minha primeira lembrança dele é vê-lo no programa Familia Trapo cantando e plantando bananeira, e ainda recentemente ele fazia isso... Sim, ele colocou a MPB de cabeça para baixo...

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    1. Puxa! Que honra, hem? Parabéns por esse evento! (ou será que quem gritou "vai você Ayrto" não tinha em mente seu violão mas sim a queixada de burro do seu célebre xará? rrsrs).
      1 grande abraço, qualquer dia eu vou aí na Mooca pra buscar uma camisa do Juventus que o Hernando me prometeu, e aí eu dou uma esticada até sua casa.

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    2. Quem me dera na hora se eu tivesse a queixada pra tocar...

      Sim, apareças na Mooca, meu, e não precisas esperar pelo show de Johnny Winter, que neste segundo semestre vai se apresentar no Juventus! Um e-abraço.

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    3. Pois é! Que boa notícia!
      Johnny Winter no Salão Nobre do clube Juventus, domingo 12 de outubro (rezem pra Padroeira pra que ele não cancele de novo). Ingressos sem taxa de conveniencia à venda na Baratos Afins. Valeu, AMJ!

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    4. Passados quase 9 anos... pois é, o Johnny Winter não veio, se foi...

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